Hoje passamos a tarde na Unidade de Saúde conversando com o Edivando, pois não dava tempo fazer visitas já que ele teria reunião com a equipe de saúde às 15h.
Ele nos contou que o bairro Parque Piauí tem em torno 45 anos e com menos de 10 anos de bairro, o hospital foi construído. Era o único ponto estratégico na área e eram realizados diversos tipos de atendimento, como internação, mas cirurgias ainda não eram feitas. A partir de então, só iam para o centro, os casos mais avançados.
Depois que chegou o PSF à região, o ACS nos disse que muita coisa mudou. À 12 anos, quando ele entrou na equipe, ainda encontrava muita gente acamada porque a população não recebia orientação de ninguém e hoje é a realidade é diferente, poucas pessoas na área dele encontram-se em tais condições. Hoje, quando o agente comunitário de saúde chega a uma casa em que a pessoa não está se sentindo bem ela tem a facilidade de já ser encaminhada para o médico ou o dentista e não tem mais o problema de passar vários dias para conseguir marcar uma consulta. O Edivando inclusive mostrou as fichas de encaminhamento que são utilizadas para esse fim.
Ele nos disse que, às vezes, o cuidado foge do controle dele apenas porque o paciente é teimoso e nos contou o exemplo de um senhor, que em toda visita ele pedia pra ver os remédios e o que era pra ter sido tomado em um mês ainda estava pela metade; quando ele questionava, o senhor dizia que só tomava quando se sentia mal. Então ele explicava tudo com paciência, dizia porque o remédio tinha que ser tomado sempre e o paciente concordava no fim das contas, mas no mês seguinte, a mesma coisa acontecia. Há mais ou menos 2 anos, sem seguir as orientações que o Edivando dava, o senhor teve um AVC e hoje passa o tempo todo acamado. Quando tenta marcar fisioterapia, que ainda não é feita no bairro, ainda há a mesma resistência.
A Unidade Integrada de Saúde Parque Piauí possui 4 equipes de saúde, 2 no turno da manhã e 2 à tarde. Cada equipe possui, no mínimo, 6 agentes de saúde. Na área da equipe do Edivando, que é a 129, tem 6 ACS e há agente que acompanha até 180 famílias e ele, em sua micro área, acompanha em torno de 140 famílias. São muitos os planejamentos de ações desenvolvidos, semana passada, por exemplo, o dentista da equipe, Dr. Daniel Aragão, fez aplicações de flúor em uma escola, em seguida foi para o PSE; semana que vem, uma médica, uma enfermeira e ele, ACS, irão a outra escola, também de PSE e já foi planejada aplicação de flúor em crianças de uma creche para a mesma semana. Trata-se de uma equipe muito dinâmica e produtiva, ao contrário de outras da mesma Unidade de Saúde, em que a produção é muito baixa. Quando perguntei a opinião dele sobre por que há tão pouca produção em outras equipes, ele respondeu que nem todo mundo gosta de assumir a responsabilidade que lhe cabe. Uma das funções do ACS é cadastrar os moradores da micro área no prontuário para que fique registrado que ele é assistido e para que possa marcar consultas com facilidade, outra é formar um elo entre os outros integrantes da equipe e a comunidade, mas há agentes nas outras equipes, que deixam de fazer até mesmo isso.
Hoje, depois dessa conversa, pudemos ter mais certeza ainda da importância que tem um ACS dentro de uma equipe de saúde e o quanto o agente que acompanhamos é feliz pelo trabalho que realiza!
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